sábado, 2 de maio de 2009

DA COLONIZAÇÃO À EMANCIPAÇÃO (1870-1953): Uma breve História de Nova Venécia


Por Rogério Frigerio Piva*

A História de Nova Venécia pode ser dividida em três períodos. O primeiro (desde antes do século XVI até século XIX) abrange a pré-colonização do território, compreendendo a ocupação do mesmo por povos indígenas desde os tempos mais remotos, até a chegada dos colonizadores. O segundo (1870-1953) inicia-se a partir da colonização do território, com a fundação da Fazenda da Serra dos Aymorés (hoje Serra de Baixo) terminando com a emancipação política do distrito. Já o terceiro período (1954 até hoje) tem início com a instalação do novo município, o desenvolvimento da cidade e alcança até os dias atuais.
Ainda, com relação ao segundo período (1870-1953), pode-se estabelecer uma subdivisão em três fases distintas, a saber: 1ª Fase (1870-1888) – abrange o período da escravatura ou cativeiro destacando-se a fundação de grandes latifúndios na região e as lutas e resistências do povo africano. A 2ª Fase (1888-1922) – inicia-se com o fim da escravidão, destaca-se pela criação do Núcleo Colonial de Nova Venécia, o recebimento de inúmeras levas de imigrantes e migrantes, seguindo até o efetivo início da construção da Estrada de Ferro São Matheus. Já a 3ª Fase (1922-1953) percorre o desenvolvimento do núcleo urbano a partir da construção de grandes obras como a primeira ponte e a conclusão da Estrada de Ferro, a colonização das regiões de Guararema, Córrego Grande (hoje Vila Pavão) e Santo Antônio do XV, os conflitos advindos do Contestado entre Minas Gerais e Espírito Santo, até culminar com a efetiva emancipação política de Nova Venécia.
O presente artigo percorrerá a trajetória da colonização do município ocupando-se com o que identificamos como Segundo Período (1870-1953) e suas respectivas fases.

Inicialmente, é preciso que se compreenda que, ao falar de “História”, significa que estamos buscando todos os vestígios deixados pelo homem, em diferentes períodos de ocupação, no território que compreende atualmente o município de Nova Venécia.
Por ainda não ter sido alvo de intensas pesquisas arqueológicas não é possível datar o início da presença humana na região. Apenas, podemos afirmar que grupos humanos já viviam por aqui há mais de 500 anos atrás, como atestam os dois únicos sítios arqueológicos catalogados até o presente momento, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em Nova Venécia, respectivamente o ES-EC Nº 01 e Nº 02 localizados no Córrego da Lagoa, próximos ao rio do Norte ou Cotaxé, nos quais foi encontrado material cerâmico.
Segundo fontes históricas, a presença dos índios aymoré ou botocudo, já era conhecida na região que hoje compreende nosso município, desde o século XVIII.

Desenho de uma "Família de índios Botocudo". Autor: príncipe Maximilian von Wied-Neuwied. Data: 1815-1817. Fonte: Brasilien Bibliothek Katalog Löschner 1988 V.1

Foram estes índios, em especial, a tribo dos GIPOROK (subdivisão dos botocudo) que travaram contato com os primeiros colonizadores no final do século XIX.

Em outra oportunidade trataremos de maneira mais detalhada deste povo ancestral que dominou estas terras por vários séculos.


Primeira Fase (1870-1888): O início da colonização e a fundação das fazendas de café sob o regime escravista

O território que hoje compreende o município de Nova Venécia pertencia ao antigo município de São Mateus, cuja criação remonta ao ano de 1764. Em 1833, desmembrando-se de São Mateus, foi criado o município de Barra de São Mateus, hoje Conceição da Barra. Foi deste que, o major da Guarda Nacional, Antônio Rodrigues da Cunha, se deslocou para a região do braço sul do rio São Mateus ou Cricaré, a fim de fundar um latifúndio para cultivo de cana-de-açúcar que recebeu o nome de Fazenda do Cachoeiro do Cravo no início da década de 1860.


Retrato pintado do major Antônio Rodrigues da Cunha com sua segunda esposa, Sra. Theodózia Vieira da Cunha. Acervo: Rogério F. Piva

Entre 1869-1870 o major Cunha, incumbiu o sr. José Gomes Paim da abertura de um picadão, que partindo da cidade de São Mateus, adentrasse pelo oeste e, atravessando a legendária Serra dos Aymorés, alcançasse o arraial de Santo Antônio do Peçanha, em Minas Gerais. O objetivo era a criação de uma rota de comércio que fizesse escoar, para o porto da cidade de São Mateus, toda produção do nordeste de Minas Gerais, ampliando ainda mais a importância desta cidade, que já era uma das mais importantes naquele período. Além disso, havia entre Peçanha e São Mateus algo que os mapas da época destacam como “grande sertão desconhecido habitado por indígenas” e que, já se sabia, eram terras férteis e ricas em madeira de lei.


Às margens desta pretensa estrada, que não passava de uma picada em meio a exuberante mata, o major Cunha iniciou a abertura de uma nova fazenda no ano de 1870. Ele a denominou de Fazenda da Serra dos Aymorés (local hoje conhecido como Serra de Baixo), aliás, designação com a qual, toda a região foi então nomeada.


O major Cunha mantinha relacionamento amistoso com os índios Giporok, dos quais, obteve auxílio na implantação da fazenda em troca de pequenos agrados.

Mas a principal mão-de-obra foi a de seus escravos africanos ou afro-descendentes que fizeram toda derrubada, ergueram todas as benfeitorias e plantaram os primeiros pés de café, que levaram São Mateus a se incluir no ciclo cafeeiro.

Negros Serradores de tábuas. Aquarela de Jean Baptiste Debret. Data: 1822. Fonte: O Brasil de Debret, Belo Horizonte : Vila Rica Editoras Reunidas, p. 40.
Por convite do major Antônio Cunha, seu irmão coronel Matheus Gomes da Cunha, que já possuía uma fazenda na Cachoeira do Inferno, um pouco acima da Cachoeira do Cravo, se desloca por volta de 1876 e abre a Fazenda da Boa Esperança (local hoje conhecido como Serra de Cima). Já em 1881 é a vez do seu cunhado, major José Gomes Sudré, fundar a Fazenda Independência, depois subdividida pelos filhos deste, entre Fazenda da Gruta, Fazenda Destino e Fazenda Terra Roxa.


Nesta época, o café era o grande produto de exportação que, levado por tropas de burros até o Cachoeiro do Cravo, seguia por meio de grandes canoas até o porto da cidade de São Mateus de onde, ganhava o mercado do Rio de Janeiro e depois da Europa.


Nesta fase registram-se as lutas pela liberdade do povo negro, das quais, nossa região também foi palco, como o drama da escrava Constância de Angola, na Fazenda da Boa Esperança, que, após ter seu filho brutalmente assassinado, se tornou uma guerreira quilombola no vale do Cricaré. Esta e outras histórias trataremos mais detalhadamente em outra ocasião.


O suor do negro fazia a riqueza que sustentava os grandes fazendeiros mateenses, dentre os quais, o major Antônio Cunha, que dotou sua fazenda com uma das sedes mais luxuosas da região.


Ruínas da casa-grande, sede da Fazenda da Serra dos Aymorés (atual localidade de Serra de Baixo), em 1981, quando se lutava pela sua preservação e ela era popularmente conhecida por "Casarão dos Escravos" devido a mão-de-obra utilizada na sua construção. Foto: Henrique Gobbi. Acervo: Rogério F. Piva
Construída entre 1870 e 1873, a casa-grande foi toda erguida com estrutura de madeira e paredes vedantes de taipa-de-mão ou estuque. Era coberta com telhas de barro estilo capa-canal e quase toda forrada com madeira no estilo saia-camisa. Possuía enormes salões e mais de dezesseis quartos e tinha quase cem metros de comprimento por treze de largura, além de mais de uma dezena de portas e janelas envidraçadas. Era servida de água encanada por meio de canos de chumbo que captavam a água na montanha situada ao fundo da edificação e a levava para um grande reservatório atrás da casa. Em uma das extremidades do casarão foi instalada uma máquina a vapor para pilar o café.

Era um verdadeiro palacete em meio a grande mata. Infelizmente, do Casarão dos Escravos, nome com o qual a casa-grande ficou conhecida entre décadas de 1970 e 1980, hoje ainda restam alguns vestígios arqueológicos: esteios de madeira e parte de uma mureta de pedra que sustentava os pilares de madeira da varanda da fachada frontal.

No ano de 1878 as fazendas do major e de seu irmão acolheram dezenas de migrantes nordestinos, sobretudo cearenses, que fugiam da maior seca que se abateu no nordeste, no século XIX, entre 1877-1880. Naquele ano (1878) o município de São Mateus foi o que mais recebeu retirantes e, o principal fazendeiro a acolhê-los, foi o major Antônio Cunha, que os levou para sua fazenda na Serra dos Aymorés.

Nesta primeira fase (1870-1888) o perfil que podemos traçar é que na região predominava os grandes latifúndios mantidos com mão-de-obra escrava e também livre, como a dos retirantes cearenses. A monocultura do café dominava a produção, mas sabemos que, em menor escala, havia o cultivo de cereais como o milho e a criação de gado.

Segundo seus descendentes, o major Cunha teria alforriado seus escravos antes da Lei de 13 de Maio de 1888 e com isso, não teria sofrido com a escassez de mão-de-obra.


Segunda Fase (1888-1922): Imigrantes e migrantes no Núcleo Colonial de Nova Venécia

O governo da antiga Província do Espírito Santo, prevendo o fim da escravidão, tratou de dotar os vales dos rios Itapemirim e São Mateus de Comissões de Medição de Terras. Tais comissões foram responsáveis pela criação de núcleos coloniais, cuja função, era atrair imigrantes europeus para essas regiões, onde se poderia “seduzi-los” para trabalharem nas fazendas.

Devemos compreender que neste momento, o preconceito dos antigos senhores, aliado à sede de liberdade dos ex-escravos, foram os principais fatores que levaram a crise da mão-de-obra que sobreveio nas fazendas. Muitos fazendeiros não admitiam o fato de tratar como empregados assalariados aqueles que haviam sido sua propriedade, presos como estavam à antiga mentalidade escravista. Por outro lado, muitos escravos, ao se verem livres, abandonavam as fazendas que tantas lembranças ruins lhes traziam.

Havia ainda a intenção do Governo Imperial que visava “embranquecer” a população com a introdução de imigrantes europeus. Nesta época, a maioria dos habitantes de São Mateus era negra.

Em 1888 foi criado o Núcleo Colonial de Santa Leocádia, situado, aproximadamente, a 23 km a oeste da cidade de São Mateus, às margens do córrego Bamburral e seus afluentes. A direção deste ficou a cargo do engenheiro Gabriel Emílio da Costa.

Em outubro de 1888 o núcleo recebeu a sua primeira leva de imigrantes italianos. Vieram no navio a vapor Ádria, de bandeira italiana. Este navio tinha a capacidade de transportar aproximadamente 1.500 passageiros por viagem. Era um dos mais velozes, percorrendo o trajeto Gênova a Vitória entre vinte e vinte e um dias. Esses imigrantes, chegando a Vitória, fizeram “quarentena” em uma hospedaria improvisada no centro da cidade, aguardando o navio Mathilde, de bandeira nacional, que fazia linha regular entre o Rio de Janeiro e o Sul da Bahia passando pelo Espírito Santo. O embarque no Mathilde se deu a 1º de outubro e, de Vitória, seguiram para o porto de São Mateus, onde desembarcaram dois ou três dias depois.

Eram 87 pessoas naturais das regiões da Lombardia e do Vêneto, norte da Itália, que, ao chegarem a São Mateus foram alojadas em um barracão atrás do cemitério da cidade. Grande deve ter sido a curiosidade tanto de italianos quanto de mateenses, devido ao contraste de culturas.

Todos os colonos deveriam prosseguir para Santa Leocádia. Ocorre que, por pressão dos fazendeiros junto ao presidente da Província, Dr. Henrique Moscoso, parte das famílias foi destinada às fazendas da região da Serra dos Aymorés.

Para a Fazenda da Serra dos Aymorés (Serra de Baixo), pertencente ao major Antônio Cunha, foram encaminhadas as famílias de: Giovanni BERTOLDI, Giovanni Battista CORADINI e da viúva Maria ZANFERRARI, num total de 13 pessoas. Para a Fazenda da Boa Esperança (Serra de Cima), do comendador Matheus Cunha foram as famílias de: Domenico SARTORI, Domenico BASSE, Domenico PERUZZI, Antonio ZANETTI e Angelo MANZANI totalizando 14 pessoas. Para a Fazenda da Terra Roxa, do Dr. Constante Sudré, foram as famílias de: Domenico BERNARDI, Domenico BIASI, Pietro PERONI, Paolo ZACHINELLI, Rafaele MORO e Pietro GALLINA, totalizando 12 pessoas. Para a Fazenda da Gruta, do Dr. Antônio Sudré, foram as famílias de: Luigi APRILE e Battista BENEVENUTTI, totalizando 04 pessoas.

Estes foram, portanto, os primeiros italianos a chegar à região do atual município de Nova Venécia no ano de 1888 e formavam um grupo de 43 pessoas.

Devido ao não cumprimento das promessas feitas pelos fazendeiros aos imigrantes, parte retirou-se para no Núcleo Santa Leocádia e outros, seguiram para Vitória a fim de alcançar novos destinos.

Além da abolição do trabalho escravo e da chegada dos primeiros imigrantes italianos, o ano de 1888 também foi marcado pela retomada da migração de retirantes nordestinos para São Mateus, dos quais, a primeira leva chegou àquele porto no início de dezembro e era composta principalmente por mulheres e crianças que fugiam dos horrores da seca no Ceará, a província mais afetada. Dentre os chefes de família que se estabeleceram entre 1888-1889 como meeiros ou diaristas nas fazendas da Serra dos Aymorés destacamos alguns como: Manoel ALVES DE OLIVEIRA, Joaquim FIRMINO DA COSTA, Vicente ALVES FEITOSA, Joaquim GALVÃO, Benedicto José de LIMA, José MARQUES DE SOUZA, Francisco José de FONTES, Francisco ELIAS DE SOUZA, Manoel LOURENÇO CARDOSO, Francisco PEREIRA DA SILVA, João LOURENÇO MELLO, João THIMOTHEO DO REGO, dentre muitos outros que se tornaram patriarcas de inúmeras famílias venecianas.

Em meio à chegada de retirantes nordestinos desembarcaram no início de janeiro de 1889, no porto de São Mateus, mais imigrantes italianos. Vindos numa segunda viagem do navio a vapor Ádria, estes, assim como os imigrantes da primeira leva, também eram destinados ao Núcleo Santa Leocádia, mas alguns deles se dirigiram para as fazendas da Serra dos Aymorés como os chefes: Pasquale MERLIN, Luigi PETTENE, Luigi GATTI, Carlo FLANGIN (hoje FRANGINI) e Angelo PIOMBIN, como suas respectivas famílias. Eram quase todas provenientes da Província de Verona e, no dia 17 de Janeiro de 1889, chegaram à fazenda do major Antônio Cunha. Desta mesma leva, algumas famílias ficaram na Fazenda Terra Roxa do Dr. Constante Sudré, das quais, lembramos das de Giovanni CAPUZZO (hoje CAPUCHO) e Romoaldo PASITTO. Ainda neste ano (1889), em março, também no Ádria, vieram para fazenda do major Antônio Cunha: Nicolò CADORIN (de Treviso), Francesco ROGIN, Ismaele ORTOLANI (de Pádova) e Pietro FACCIN (de Vicenza) com suas respectivas famílias.


Família do imigrante italiano Pietro MERLIN, no córrego da Areia, em 1945. Ele veio criança acompanhando os pais e irmãos, em 1889, para fazenda do major Cunha, depois agraciado com o título de Barão de Aymorés. Era natural da província de Verona, na região do Vêneto. Acervo: Família de Luiz Merlin.

A imigrante italiana Emilia CADORIN em meados da década de 1940. Veio com sua família em 1889 para fazenda do major Cunha, depois agraciado com o título de Barão de Aymorés. Era natural da província de Treviso, na região do Vêneto. Acervo: Rogério F. Piva


Foi também neste ano de 1889, há aproximadamente dois meses antes da Proclamação da República, que o major Antônio Rodrigues da Cunha foi agraciado com o título de BARÃO DE AYMORÉS, por ser o fazendeiro mais rico e de maior projeção política no norte do Espírito Santo, além do fato de ter contribuído bastante para o desbravamento do sertão de São Mateus.



Selo de Taxa Municipal com estampa do retrato do Barão de Aymorés. Foi instituído pela lei municipal nº 04 de 14/03/1955 "como homenagem aos grandes serviços prestados a este município na época da sua abertura e colonização". Acervo: Rogério F. Piva
Outro fazendeiro que teve grande destaque neste período foi um sobrinho do barão, que era proprietário da Fazenda Terra Roxa, o Dr. Constante Gomes Sudré. Ele chegou a ocupar o cargo de presidente (hoje governador) do Estado por duas vezes no final do século XIX.



Retrato do Dr. Constante Gomes Sudré existente na Galeria de Ex-Governadores do Palácio Anchieta em Vitória. Acervo: Governo do Estado do ES.
Em 1891 novas viagens do vapor Ádria trouxeram mais imigrantes para as fazendas da região da Serra dos Aymorés como as famílias de: Pasquale VALENTE, Beniamino CALONI (hoje CARLONI), Santo BAROLO, Francesco CAMPAGNOLA, Raimondo ROZZATI, Giovanni RIGHETTI, Antônio SCAMPARLE, Antonio BANZA, Luigi BOLDRIN, Simone BELLUZZO (hoje BELUCIO), Giovanni COPPO, Domenico DANIELETTO, Luigi FANTICELLI, Luigi MIOTTO, Giovanni Evangelista MIRANDOLA, Fortunato PRIOR, dentre outros.

Ao findar o ano de 1891 foram desembarcados em Vitória os imigrantes do vapor Birmânia, pertencente à mesma companhia de navegação que possuía o vapor Ádria e, assim como ele, com grande capacidade para o transporte de passageiros. Como nas outras levas, após “quarentena”, agora na recém-construída Hospedaria de Imigrantes da Pedra d’Água, na baía de Vitória, seguiram nos vapores nacionais Lucia e Mayrink para o porto de São Mateus de onde, um pequeno grupo, dirigiu-se para o Núcleo de Santa Leocádia e, a grande maioria, se destinou as fazendas da região de Serra dos Aymorés, como as famílias de: Giovanni LIVIO, Pietro DELLAVEDOVA (hoje DELEVEDOVE), Eugenio OLIVIERI, Luigi FRIZIERO (hoje FRIGERIO), Davide MAZARIN, Antonio ZANON, Francesco Antonio CAPELLETO, Luigi VIDOTTO, Natale GASPARINI, Beniamino BERCAVELLO, Pietro PACCAGNAN, Giulio BRAIDA, Antonio BIRAL, Marco CEBIN, Giovanni PUTTIN, Angelo CONTARATTO, Giuseppe FONTANA, Angelo CALATRONI, Antonio BUSATTO, Andrea MACCARINI, Lodovico LAVAGNOLI, Francesco FERRUGIN, Luigi SABADINI, Pasquale CIAROTTO (hoje CHEROTTO), Francesco MESTRINELLI, Luigi SELVATICO, Luigi MILLERI, Antonio BONOMETTI, Antonio VECCHIATTO, Antonio BOA, Filippo MONARIN, Cristiano Antonio BONOMO, Osvaldo BETTIN, Angelo BRAGAGNOLO e Luigi PIEROBON (hoje PEDRO BOM). Estas famílias, em sua maioria, eram procedentes das províncias de Padova, Verona e Treviso, na região do Vêneto.

Até o ano de 1892, todos imigrantes estabelecidos na região da Serra dos Aymorés, que atualmente compreende o nosso município, se empregavam nas fazendas de café como meeiros e/ou diaristas. Foi neste mesmo ano (1892) que um sobrinho do Barão de Aymorés, chamado Dr. Antônio dos Santos Neves, já a frente da direção do Núcleo de Santa Leocádia, criou o Núcleo Colonial de NOVA VENÉCIA.

Primeiramente, projetou-se uma nova “seção” para o Núcleo Santa Leocádia, mas devido à extensão desta nova seção e a distância para com a sede do mesmo, ela acabou tornando-se núcleo, cujo nome, dado por ele, fazia alusão à região do Vêneto, que tem por capital a cidade de Venezia (Veneza para os brasileiros). Diga-se de passagem, a maioria dos imigrantes chegados até aquele momento, era da Região do Vêneto.

O novo núcleo se subdividia em várias seções que acompanhavam o curso do rio Cricaré ou de seus afluentes como: Seção Rio Preto (onde se estabeleceram os imigrantes anteriormente chegados as Fazendas da Terra Roxa, Gruta e Destino), Seção Córrego da Serra (que recebeu os imigrantes da fazenda do Barão de Aymorés), Seção Pip-Nuk (onde predominavam imigrantes da fazenda do coronel e comendador Matheus Cunha). Havia ainda as seções de Córrego Aguirre e Rio São Mateus abaixo (da sede do núcleo). Observa-se que, apesar da forte presença de italianos, haviam muitos lotes ocupados por brasileiros. Inclusive, subindo rio acima, no córrego da Boa Esperança, a ocupação não foi feita pelo governo, mas pelos próprios colonos que eram quase todos nordestinos.

A sede do Núcleo Colonial de Nova Venécia foi estabelecida no alto do morro próximo a foz do córrego da Serra (hoje morro da igreja matriz de São Marcos), onde foi construído um barracão para albergar, provisoriamente, as famílias recém-chegadas. Este barracão ficava onde hoje se encontra o Laboratório do Dr. Vicente. E foi por causa dele que a vila, depois, cidade de Nova Venécia foi conhecida por BARRACÃO pelos antigos.

Entre 1892 e 1895 ainda chegaram as famílias de Alessandro FABEN, Clemente CEGLIA, Pellegrino ROMANO, Domenico TAGLIAFERRI, Nicola DE FRESCO, Aldo MARANI, Giuseppe DIONI (hoje DENONI), Pietro ROSA, Giovanni PANZERI e seu irmão Silvestre PANZERI (hoje PANCIERE), Antonio FRIGERIO, Francesco TENTORE, Giosuè AIROLDI, Caetano REDAELLI, Antonio CESANA, Andrea FUGOLIN, Antonio VISNARA, Gioachino COLOMBO, Eugenio SANDRE, Giovanni Battista VIDA, Carlo CEREDA e Andrea LEONARDI, dentre outros.

Em escala muito reduzida houve a vinda de imigrantes portugueses e espanhóis neste mesmo período, mas destes, muitos acabaram por deixar a região.

Ainda em fins do século XIX e início do século XX houve a chegada de mais famílias oriundas de São Mateus, como a do capitão José Antonio CARDOSO e seu filho Salvador CARDOSO, Matheus TOSCANO, José VILA NOVA e dos irmãos Leopoldo e Ernesto AYRES FARIAS. Também muitos migrantes mineiros e baianos devido à proximidade com nossa região vieram para cá como: Manoel FERREIRA DA ROCHA, Francisco Luiz DE SÁ, Chrispiniano MARINHO DE AZEVEDO, Clarindo PACHECO ROLIM, José PEREIRA DAS NEVES, Maximiniano RODRIGUES DO NASCIMENTO e seu sobrinho Claudiano RODRIGUES DO NASCIMENTO dentre muitos outros.

Em 1896 houve o reconhecimento oficial da região da Serra dos Aymorés, que passou a ser considerada como distrito do município de São Mateus, porém, somente em 1899 começou a funcionar, efetivamente, um cartório de registro civil na região. Retificado por ato municipal de São Mateus em 1902, o segundo distrito chamou-se Serra dos Aymorés até o início da década de 1920, quando teve o nome mudado para Nova Venécia, por força do núcleo, que abrigava em seu território desde 1892.

Infelizmente, quanto mais povoada de colonos era a região, mais rápida se tornava a extinção dos indígenas que habitavam o vale. Inúmeros conflitos foram travados entre os grandes fazendeiros e pequenos proprietários com os índios Giporok. O mais violento deles ocorreu na região da Fazenda Santa Rita, de propriedade do Dr. Antônio dos Santos Neves, onde o lendário capitão Pip-Nuk teria errado o alvo e, ao invés de acertar uma flechada mortal no “Antunico Neves”, acabou acertando a Eleosippo Rodrigues da Cunha, filho do Barão de Aymorés que, nesta época (1903), já havia falecido há 10 anos.

"LoLô", apelido pelo qual Eleosippo era conhecido, ficou entre a vida e a morte, mas conseguiu sobreviver e, assim como seu pai, se tornou um dos homens mais poderosos da região.
Melhor sorte não coube aos índios que, após o ataque, sofreram violenta retaliação por parte dos fazendeiros.
Também, em meio aos italianos, o choque de culturas era sentido por colonos que tinham suas terras “invadidas” ou mesmo seus filhos “seqüestrados” como o caso do filho do italiano Silvestre Panzeri (hoje Panciere). Os índios eram nômades, portanto, acostumados a perambular por toda região. Não entendiam porque agora, existiam cercas e porque, ao avistarem um milharal, não poderiam livremente saciar a fome, o que acabava gerando conflitos.


Índio da tribo dos Krenak à espreita na mata. Os Krenak formavam uma tribo como a dos Giporok, ambas pertencentes à grande nação botocudo. Fonte: APEES-BRD-011- Índios Botocudos do Rio Doce. Local: Barra do rio Pancas, entre Colatina e Barbados, em 1909. Fotógrafo Walter Garber
Por volta de 1910, com a criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão federal, instalou-se um posto indígena no vale do rio São Mateus. O Posto Aymorés foi criado para aldear os Giporok e assim, pacificar a região. Ficava às margens do rio Cricaré ou braço sul do rio São Mateus, na margem norte, aos pés da Pedra da Rapadura, no lado oposto ao local onde hoje existe o povoado de Luzilândia.

Misteriosamente, houve uma epidemia de varíola, em 1912, que acabou por aniquilar a tribo. Agora o caminho estava “livre” para a marcha da colonização que, após engolir os antigos habitantes da terra, iria avançar de maneira feroz e destruidora sobre a fauna e flora do vale do rio São Mateus.

Antes, porém, foi preciso romper a barreira do isolamento e tornar mais acessível a longínqua Serra dos Aymorés que, a este tempo, além de grandes latifúndios, possuía centenas de lotes coloniais ocupados por imigrantes italianos e migrantes brasileiros que haviam chegado a esta terra em busca de dias melhores.


Terceira Fase (1922-1953): A Estrada de Ferro São Matheus e o desenvolvimento da Vila de Nova Venécia
Em 1924 o Governo do Estado deu início às obras para construção de uma ponte de madeira com pilares de pedra, sobre o braço sul do rio São Mateus, no lugar Nova Venécia.
A antiga sede do núcleo colonial, até aquele momento, não passava de um insipiente povoado, com algumas casas concentradas no entorno do morro que hoje conhecemos como da matriz de São Marcos.

Como vimos, desde o final do século XIX, à beira do rio, estava a sede do núcleo colonial, e também do distrito de Serra dos Aymorés. Mas, neste tempo, não havia sequer projeção de uma vida urbana na vila então nascente, pois, mesmo os que ali moravam, levavam uma vida tipicamente rural.

Às margens do rio Cricaré, na Cachoeira Grande, próximo à foz do Córrego da Serra, um filho do Barão de Aymorés, chamado Wantuyl Cunha, montou um engenho para pilar café e arroz, movido com a força das águas do rio, que recebeu ali uma rústica barragem.

Das poucas casas que havia no morro destacamos a do Sr. Salvador Cardoso, homem de grande influência no passado veneciano. Ele era juiz de paz e sacramentava as cerimônias civis em sua residência, além de ter sido vereador, em São Mateus, pelo distrito. Diante de sua casa, em 1915, plantou um pé de manga coco, em homenagem ao nascimento do seu filho Romeu Cardoso. Surpreendentemente, hoje (2009), tanto a casa quanto a mangueira ainda existem e testemunham o início bucólico da nossa cidade.


Vista da Rua Salvador Cardoso, no centro da cidade de Nova Venécia, quando ainda se chamava Rua João Pessoa, em fins da década de 1950. A quase centenária mangueira ao centro do logradouro, que neste tempo, ainda não possuia pavimentação, mas ostentava todo seu casario. É a rua mais antiga de Nova Venécia, onde ainda existe a casa mais antiga do centro da cidade que pertenceu àquele que hoje dá nome a mesma. Fonte: Enciclopédia do Municípios Brasileiros, vol. XXII, IBGE, 1959.
Em fins de 1925 ficou pronta a nova ponte, que significou mais facilidade para colonizar as terras ao norte, notoriamente as regiões dos córregos da Areia, Refrigério, Água Bela, dentre outros.

Neste mesmo ano (1925), por um equívoco, chega da Itália um presente do governo fascista de Mussolini. Solicitada por um adido cultural da Itália na colônia de Nova Veneza, em Santa Catariana, veio uma escultura em alto relevo de bronze do Leão Alado de São Marcos. Como não havia muita especificação no endereço, ao chegar ao porto de Vitória, foi logo remetida para São Mateus, de onde seguiu para vila, que a recebeu com grande festa.

Mas aqui não havia sequer capela de São Marcos, e então a imagem ficou na capela de Santo Antônio do Córrego da Serra até 1932, quando, o Sr. Guilherme PEREIRA LIMA, por devoção, construiu a primeira capela da vila dedicada ao Nosso Senhor do Bonfim.

O Sr. Guilherme Pereira Lima, chegou a Nova Venécia, ou melhor, Barracão, como então se dizia, atuando como exterminador de formigas e depois fez fortuna. Assim como ele, um alagoano, Sr. Waldemar de OLIVEIRA e o baiano, Sr. Zenor PEDROZA ROCHA, além de sírio-libaneses como as famílias DAHER, ABRAÃO, CARAN, BOECHAT, RODOR, ZOGAIB e um grego chamado Manoel PAPAZANAK para cá vieram, e por quê?

Talvez seja porque a região demonstrasse ter um futuro promissor. Tanto isso se fazia sentir que, em 1922, o Governo de Nestor Gomes, resolveu investir na construção da antiga Estrada de Ferro Serra dos Aymorés, projetada inicialmente em 1896. Agora com o pomposo nome de Estrada de Ferro São Matheus, o antigo projeto viu sua efetivação.

A construção foi feita em etapas e demorou de 1922 a 1929, quando então, no governo de Aristeu Borges de Aguiar, foi inaugurada a Estação de Nova Venécia.


A Locomotiva da "Estrada de Ferro São Matheus" transportando em seus vagões enormes toras madeira de lei da Vila de Nova Venécia para o porto da Cidade de São Mateus, no início da década de 1940. Acervo: Rogério F. Piva
A insipiente ferrovia teve vida curta. Por ser de bitola estreita foi desativada por volta de 1942.

Mas já era tarde de mais, a região já havia tomado o impulso necessário para concluir o processo de colonização. O ciclo madeireiro também havia começado a sua devastação e o que não virasse cafezal, se tornaria pasto. Nem a crise mundial de 1929 pôde impedir o desenvolvimento do lugar, que agora já recebia filhos e netos de imigrantes que haviam povoado o centro e sul do estado, notoriamente a região que abrange os atuais municípios de Castelo, Venda Nova do Imigrante, Alfredo Chaves, Domingos Martins, Santa Teresa, dentre outros, e que estavam à procura de novas terras. Famílias como SALVADOR, TOSI, SENNA e muitas outras, começam a chegar do sul do estado nessa época.

A euforia da década de 1920 foi tão intensa que levou um negociante italiano, chamado Battista PERLETTI, a se estabelecer em Nova Venécia. Em 1925 ele adquiriu um pedaço de terra na vila, próximo à foz do córrego Dourado, e ali fez construir uma edificação, com grossas paredes de pedras expostas, que contrastava com todas as edificações existentes na vila. Importou uma máquina a vapor e montou uma casa de pilar café com essa força motriz. Infelizmente, problemas de saúde e a própria crise financeira puseram fim ao seu sonho. Doente e viúvo, retornou com seu único filho para Itália.


Casa de Pedra do Perletti no centro de Nova Venécia, onde foi instalada uma máquina-a-vapor para pilar café em meados da década de 1920, ainda ostentando suas características originais no ano de 1993. Foto Cilmar Franceschetto. Acervo: Rogério F. Piva

A partir da década de 1930 com o avanço das frentes de colonização, no norte do Espírito Santo, terá início outro episódio sangrento de nosso passado, que ficou conhecido como CONTESTADO.

O município de São Mateus fazia limite, no oeste, com estado de Minas Gerais e, a essa altura, os mineiros que, como vimos já eram presença constante, em Nova Venécia, desde o século XIX, avançavam com a sua fronteira para dentro do território capixaba que, aliás, estava sendo desbravado por eles.

Com o intuito de frear as expectativas mineiras, o Governo do Espírito Santo iniciou a colonização da região de Barra de São Francisco que representou um posto avançado capixaba na, até então, indefinida fronteira com Minas Gerais.

Em 1938 criou uma paróquia em Barra de São Francisco e para lá mandou o padre Lauro Zacarias de Oliveira que, por existirem mais fiéis em Nova Venécia do que lá, acabou permanecendo por aqui. Essa permanência durou 10 anos, até que assumisse seu posto em Barra de São Francisco. Enquanto isso, o padre Zacarias, construiu, com a ajuda da população, a capela dedicada a São Marcos, concluída entre 1942-43.


Vista parcial do centro da Vila de Nova Venécia no início da década de 1940. A primeira igreja de São Marcos ostenta telhado novo, mas ainda não havia sido concluída, enquanto que a região da atual praça Jones dos Santos Neves não havia recebido nenhuma edificação até aquele momento. Acervo: Rogério F. Piva
Por volta de 1927 mineiros se estabeleceram na região de pau d’Alho, depois conhecida por Guararema, e iniciaram a colonização daquela região, onde o grosso dos colonos que ali se estabeleceram, vieram do sul e centro do estado. Até a década de 1960, quando se firmou o acordo de limites entre Minas Gerais e o Espírito Santo, parte do distrito de Guararema era considerada zona litigiosa de pretensão mineira.

Com a criação do município de Barra de São Francisco, em 1943, foi dado decisivo passo na conquista capixaba do território.

Enquanto isso, nas levas de colonos do sul e centro do estado que chegavam à Nova Venécia, em meados da década de 1940, vieram os descendentes de alemães e pomeranos (povos de origem germânica) que provinham de municípios como Santa Leopoldina, Domingos Martins, Afonso Cláudio, Itaguaçu, Baixo Guandú dentre outros e que, colonizaram principalmente as regiões de Guararema, Santo Antônio do XV e Córrego Grande. Esta última que atualmente constitui o município de Vila Pavão, emancipado de Nova Venécia em 1990. Das famílias com sobrenomes germânicos (alemães e pomeranos), poloneses e italianos, dentre outros, que começam a chegar a partir desta época destacamos: SCHNEIDER, HOFFMANN, PAGUNG, BRAUN, KLIPPEL, JANN, TESCH, EWALDT, KÜSTER, AHNERT, KRAUSE, JAKOB, KRÜGER, WUTKE, TRESSMANN, REETZ, SCHIMIDT, SMED, RAMLOW, BERGER, SCHWAMBACH, TRAMS, PITTELKOW, SCHREIBER, PETERS, KLES, JASTROU, BADELT, WILL, MAJEWSKI, DOBROWOSKI, BETTERO, BERGAMIN, FRANCESCHETTO, CALVI, CESCONETTO, MANTOVANELLI, GRILLO, BIS, CAMPO DALL’ORTO, ALTOÈ, SCABELLO, MORGAN, DE PRÁ, TURINI, MORESCHI, MARCHESINI, GAZOLLI, GAVA, CALEGARI, PILON, CAMATTA, DE ANGELO, CHECON, SECHIN, OLIOSI, SCARDINI, ZANOTTI, ZIVIANI, ZACCHÈ, ZUCOLOTTO, ZAMPROGNO, ULIANA, FERRARI, SALVADOR, SPEROTTO, FONTANA, GUIDI, COLI, TOSI e muitas outras, além das de origem afro-luso-indígena (principalmente mineiras e baianas) que continuaram a chegar até o final do século XX.
Muito contribuiu para vinda destes novos pioneiros a conclusão, em 1947, da estrada que ligou Nova Venécia a Colatina. A Rodovia do Café, como hoje é conhecida, encerrou o período de hegemonia mateense sobre a Vila de Nova Venécia, tendo em vista que, a partir de então, a produção poderia ser comercializada no mercado de Colatina.
Por volta de 1953 surgiu um movimento, em prol da emancipação política do distrito de Nova Venécia. Naquela época o distrito já superava o da sede de São Mateus em termos demográficos. Vários vereadores da câmara de São Mateus eram eleitos pelo distrito de Nova Venécia como os que atuavam naquele mandato como: Tito Santos Neves, Dacílio Duarte Santos, Antônio de Carvalho e o próprio prefeito de São Mateus que era Zenor Pedroza Rocha, primeiro farmacêutico a se estabelecer em Nova Venécia em meados da década de 1920. Um abaixo-assinado, com mais de duzentas assinaturas, deflagrou o processo que culminou com a aprovação da Lei Municipal Nº 329 de 28 de Agosto de 1953 que criou o município de Nova Venécia e que foi ratificada pela Lei Estadual Nº 767 de 11 de Dezembro daquele ano. Portanto, há 57 anos que serão completados no próximo dia 11 de Dezembro.
Como o dia do padroeiro São Marcos era comemorado anualmente, pela Igreja Católica, no dia 25 de abril, com grande festa, muito concorrida na vila e depois cidade de Nova Venécia, convencionou-se o dia 24 de abril como o dia da cidade.
O que aconteceu com Nova Venécia a partir de então? Bem, isto é uma outra História.



*Rogério Frigerio Piva é natural de Nova Venécia. Historiador graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo. Pesquisa sobre a História de Nova Venécia desde 1992. Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Trabalhou por 10 anos no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo onde ocupou diversos cargos. Atualmente é Professor de História e Filosofia do Centro Educacional Evolução.



Nota: O presente artigo, com alguns pequenos cortes devido ao espaço de editoração, foi publicado às páginas 08 e 09 do jornal "Folha do Estado", edição nº 1034, de 24/04/2009.

7 comentários:

Altair disse...

ROGÉRIO,
Parabéns; uma pesquisa densa e acurada. Esperamos sua publicação em livro específico sobre o assunto.
Permita-me sugerir-lhe que amplie os dados sobre a estrada-de-ferro; parece-me que ela foi obra de interesse das família Cunha e teve cronologia longa. Fez-se estação em Nova Venécia? Funcionou de quando a quando? Qual sua importância para a colônia italiana?
Abração.

daniel disse...

rogério , muito bom , porem o nome da familia pettene não conhecida deste modo e sim Petente , e puder corrigir ou editar seria ótimo
abração

Rogério Frigerio D. Piva disse...

Caro Daniel, não conheço suas fontes (você é descendente desta família?), mas a documentação italiana existente no Arquivo do Estado do ES e os "certificati di Nascite" expedidos pela comune de Cerea na Província de Verona, Região do Vêneto, na Itália dão sempre a grafia PETTENE. Talvez você esteja confundido a família. Se trata dos descendentes do casal Luigi PETTENE e Giuseppina Guerra emigrados em 1888 no navio Ádria???

Alex disse...

Prezado Rogério,
parabéns pela pesquisa.
Sou descendente de um senhor chamado Batista Pettene (meu bisavô), pai de minha avó paterna Esmeralda Pettene (não conheci nenhum dos dois). Não sei de muita coisa desse lado de minha familia, tudo o que sei é que eles moraram em Nova Venécia (ES).
Gostaria de saber se vc possui algum dado sobre esses meus dois ancestrais.
Desde já agradeço.

Andre Merli disse...

Meu nome é André MERLI e minha família descende da Itália. Queria saber se pode ter acontecido alguma mudança no nome.

Didi Kos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
marco antonio disse...

Olá, Rogério!

Saberia informar se o Mj. Antônio R. da Cunha teria algum parentesco com a família RODRIGUES DA CUNHA (MATTOS) de Congonhas / Uberaba - MG ?!


Grato,

Marco Antônio Rodrigues da Cunha Jr.

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