segunda-feira, 16 de março de 2009

SAGARANA: O DUELO (Brasil, 1973), o sertão mineiro de Guimarães Rosa vivo no interior do Espírito Santo


Sagarana: O Duelo foi lançado em DVD pela Paramout Pictures em 2006.


O filme SAGARANA: O DUELO teve direção e roteiro de Paulo Thiago, baseado na obra-prima de João Guimarães Rosa, o conto O Duelo, do livro Sagarana, lançado em 1946.

Com locações no interior do estado do Espírito Santo (Nova Venécia, Linhares, São Mateus, João Neiva (Acioli), Colatina, Serra, Vila Velha e etc...). Esta obra prima de Paulo Thiago registra, com belíssimas imagens, o patrimônio cultural e natural capixaba no ano de 1973. O filme mostra que, certamente, o "Sertão" de Guimarães ainda estava vivo em terras capixabas.









Imagens do "Casarão dos Escravos" em 1973 capturadas a partir do filme Sagarana: O Duelo.



O Sagarana de Paulo Thiago tem como ponto de partida a Casa-grande da Fazenda da Serra dos Aymorés, outrora residência do Barão de Aymorés que, na época das filmagens (1973) já se encontrava em avançado estado de deterioração, mas ostentando sua arquitetura original do final do século XIX, coincidentemente no ano em que completava 100 anos de construção. O Casarão dos Escravos, como ficou popularmente conhecido, e todo seu entorno, foram detalhadamente registrados neste clássico do cinema nacional.

Atocaiados na velha casa abandonada (Casarão dos Escravos) Turíbio Todo, interpretado pelo ator capixaba Joel Barcelos, e seu companheiro de ofício aguardam a vítima que se aproxima num calhambeque em plena estrada da Serra de Baixo. A vítima é morta com muitos tiros e com o calhambeque incendiado no tiroteio.





No filme o Casarão dos Escravos serve de esconderijo para os matadores de aluguel.



Turíbio Todo é um matador de aluguel para cuja mulher havia mentido, dizendo que ia a uma pescaria enquanto, na verdade, estaria executando uma encomenda de morte.

Ocorre que sua mulher Mariana, interpretada por Ítala Nandi, o traía com um conhecido caçador de jagunços chamado Cassiano Gomes, vivido por Milton Morais. Sem avisar, Turíbio volta para casa e flagra a esposa adultera, mas o sangue frio o faz esperar por uma vingança, cujo tiro sai pela culatra, matando não o Cassiano Gomes, mas seu irmão. Os dois duelarão pelo sertão mineiro, ambos sedentos de vingança. Como termina esta história, bem, só assistindo para ver.

Sagarana: O Duelo foi o único longa metragem que utilizou Nova Venécia como cenário (a região da Serra de Baixo, hoje integrante da APA da Pedra do Elefante) as filmagens movimentaram a cidade no ano de 1973 em plena ditadura militar.

Em outra seqüência do filme, nos é apresentado o sítio histórico do Porto de São Mateus com seu casario colonial ainda original.

Mas o que chamamos a atenção é para as imagens em movimento do ícone, hoje perdido, do patrimônio cultural veneciano conhecido por Casarão dos Escravos.

A casa-grande aparece imponente, como que para todos refletirem sobre o que o município de Nova Venécia, ou mesmo o Espírito Santo, perderam com a sua destruição.

O diretor Paulo Thiago, foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1974, pela sua atuação em Sagarana.

O filme traz no elenco: Rodolfo Arena, Joel Barcellos, Zózimo Bulbul, Sadi Cabral, Antonio Carnera, Emmanuel Cavalcanti, Roberto Ferreira, Wilson Grey, Átila Iório, Erley José, Luiz Linhares, Ana Maria Magalhães, José Marinho, Milton Moraes , Ítala Nandi, Waldir Onofre, Paulo César Peréio, Ruy Polanah, Vinícius Salvatori , Jofre Soares, Nery Victor, Milton Vilar, Paulo Villaça.

Em 01/09/2006 foi lançado em DVD pela Paramount Home Entertainment. Áudio: Português: Dolby Digital 2.0, Legendas: Português, Formato de Tela Widescreen, Música: Antônio Carlos Jobim e Dori Caymmi, Extras: Menu Interativo, A Criação Literária de Guimarães Rosa, Trailer, Entrevistas, Críticas, Filmografias, Seleção de Cenas, Duração: 104 minutos, Colorido.


O Projeto Pip-Nuk entrou em contato com a Vitória Produções Cinematográficas, dententora dos direitos autorais, e conseguiu autorização para utilizar as imagens iniciais de Sagarana: O Duelo, em um videoclipe do Grupo Musical Engenho Novo, que estará disponibilizando no blog, via You Tube, para que os venecianos das novas gerações conheçam o que um dia foi o CASARÃO DOS ESCRAVOS.

Mais informações sobre o filme nos links:

http://www.paramountbrasil.com.br/nossos_filmes_ficha.asp?idP=111621N&id=3964



sexta-feira, 13 de março de 2009

Como solicitar o tombamento de um bem cultural [edificado]?



CAPELA DE SANTO ANTÔNIO DO CÓRREGO DA SERRA, localizada no município de Nova Venécia. Representa a devoção religiosa mais remota, ainda existente no município, próxima a área urbana da cidade. Construída na década de 1940 com alvenaria de tijolos é a terceira edificada no local. O Oratório (Capitello) original surgiu em fins do século XIX. Abriga, ainda hoje, a escultura em madeira de Santo Antônio de Pádua feita pelo imigrante italiano Celeste Rizzo. Foto: Rogério Frigerio Piva, 25/01/2009.

Esta capela é um exemplo de Patrimônio Cultural [Edificado] que já devia ter sido protegido contra a descaracterização de seus elementos contrutivos e arquitetônicos.


O texto abaixo foi transcrito do:



Espírito Santo, Governo do Estado do. Guia da Preservação do Patrimônio Cultural. Secretaria de Estado da Cultura : Vitória, 2008.



Portanto, pedimos a devida licença a Secretaria de Estado da Cultura do ES para difundir os textos deste exelente instrumento que certamente nos auxiliará, indicando o caminho correto a ser seguido na preservação de nosso Patrimônio Cultural em especial ao EDIFICADO ou ARQUITETÔNICO.



Como solicitar o tombamento de um bem cultural [edificado]?

Para iniciar um tombamento, qualquer pessoa pode escrever ao órgão público responsável pelo patrimônio cultural, que são:

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (órgão federal);
CEC – Conselho Estadual de Cultura (órgão estadual);
SECULT – Secretaria de Estado da Cultura;
Órgão municipal de cultura.

Para identificação do bem, objeto do estudo a ser realizado, a solicitação [de tombamento] deverá conter:

· Nome do(s) proprietário(s) do bem respectivo – em caso de sítio, indicar o número de imóveis correspondentes a cada tipo de proprietário: particular, instituições, empresas e poder público – municipal e estadual;
· Localização precisa, com endereço ou coordenadas, cidade, distrito, município;
· Descrição arquitetônica e urbanística, pormenorizada, com indicação de materiais e técnicas construtivas empregadas, acompanhado de registros fotográficos datados e legendados e de plantas;
· Descrição do estado atual de conservação;
· Descrição da ambiência geográfica, paisagística (natural e urbana) e de eventuais instalações e equipamentos de infra-estrutura, citando as referências no entorno do bem;
· Ocorrência de manifestações culturais e econômicas associadas ao bem e/ou sítio;
· Dados históricos sobre o imóvel ou a época de fundação do sítio e/ou da construção das edificações, seus construtores, locais de procedência e principais motivos de fixação da população local desde os fundadores até a geração atual;
· Dados sobre a área de influência do bem e/ou do sítio na região, desde sua construção até os dias atuais;
· Nome completo e endereço do proponente e menção de ser ou não proprietário do bem;
· Outras informações consideradas pertinentes.
Fonte: IPHAN 21ª SR

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Decreto Municipal Nº 1.302 de 15/07/1988. Declara imune de corte a "Mangueira" localizada no centro da Rua Salvador Cardoso


A árvore "Magueira" (variedade manga côco) marca presença desde o início da outrora vila de Nova Venécia. Completará 94 anos no dia 08 de outubro. É um monumento natural a presença dos indígenas em Nova Venécia, pois, em sua sombra encontravam repouso e alimento ao passarem pela nascente povoação. Na foto acima, à direita, a casa do homem que a plantou, o Sr. Salvador Cardoso, construção anterior a 1911 e que, segundo nos consta, é a casa mais antiga ainda existente na cidade de Nova Venécia. Esta árvore é símbolo do Projeto Pip-Nuk. Foto: Rogério Frigerio Piva, 19/02/2009.

Transcrevemos abaixo, na íntegra, o texto do decreto de "tombamento" da Mangueira da Rua Salvador Cardoso no Centro de Nova Venécia:
DECRETO Nº 1.302/88


O Prefeito de Municipal de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo, no uso de suas atribuições legais e,
Considerando disposto no Artº 7º do Código Florestal (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965),
Considerando quanto a Necessidade de Preservação das Espécies por motivo de beleza, valor histórico, as árvores localizadas em logradouros públicos:
DECRETA:
Artº 1º - Ficam declaradas imunas de corte devido as suas condições relativas a beleza e de fazer parte da história do crescimento e vida do Perímetro Urbano, desta cidade, a árvore abaixo identificada:
- MANGUEIRA LOCALIZADA NO CENTRO DA RUA SALVADOR CARDOSO – CENTRO - DESTA CIDADE.
Artº 2º - Caberá à Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos, de responsabilidade do DEURB – Departamento de Urbanismo, zelar pela preservação desta árvore.
Artº 3º - Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
REGISTRE-SE, PUBLIQUE-SE, CUMPRA-SE.
Gabinete do Prefeito Municipal de Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Aos 15 dias do mês de Julho de 1988.

Adelson A. Salvador [assinatura]
Prefeito Municipal


Fonte: Transcrito em 19/02/2009, das folhas 97 e verso do “Livro de Decretos Nº 07 (1.154/86 a 1.459/89)” existente na Secretaria Municipal de Administração de Nova Venécia (ES).

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Parecer do CEC sobre a restauração da Casa de Pedra do Perletti

Apesar de ser patrimônio público municipal desde 1994, ter sido descaracterizada pela Prefeitura em 2000 e, em 2003, ser tombada como Patrimônio Cultural do Estado pelo CEC, a CASA DE PEDRA DO PERLETTI ainda aguarda pela sua restauração. Foto: Rogério Frigerio Piva, 11/10/2008.

Apresentamos na íntegra o Parecer 001/2008 da Câmara de Patrimônio Arquitetônio, Bens Móveis e Acervos do CEC, apresentado em reunião no dia 06/11/2008, em Vitória, no qual se aprovou a "RESTAURAÇÃO" da Casa de Pedra do Perletti desde que observadas as seguintes indicações:


CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA
Câmara de Patrimônio Arquitetônico, Bens Móveis e Acervos


Processo Nº:
42353823, de 29/08/2008
Objeto:
Casa de Pedra, em Nova Venécia
Assunto:
Restauração e intervenção
Data: 18/09/2008
Relator: André Luiz de Souza


Parecer PABMA 001/2008


Somos favoráveis à restauração da Casa de Pedra. No entanto, sugerimos observar o que se segue:
Na visita ao local, um largo urbano e entroncamento viário, constatamos que só restam as paredes da outrora construção da década de 20 do século passado. As paredes são de estrutura de pedra, entremeadas por argamassa, que foi rebocada.
Na proposta de uma nova construção próxima a antiga, deverá ser simulada a interferência estética da nova inserção (Verificar artigo 16, da Lei Estadual 2947/74, de 16 de dezembro de 1974). O estacionamento deverá posicionar-se de modo que os veículos estacionados não interfiram na visualização da Casa de Pedra.
A restauração deverá permitir a visualização, por parte do visitante, dos materiais utilizados na construção (as pedras). As instalações elétricas devem ficar aparentes, pois não serão iguais às da época da construção. O paisagismo deverá permitir a visão da edificação por parte de quem passa nas ruas que circundam a edificação.
Deve-se contratar uma empresa especializada (com notório saber) em restauração de patrimônio histórico.
O anexo deve obedecer à legislação vigente sobre construções novas ao redor de bens arquitetônicos tombados.
A estética (aparência arquitetônica) da construção dos anexos tem que contrastar com a da casa de pedra.
Evidenciar as estruturas dos antigos anexos, quando da execução do paisagismo. Verificar aumento na parede, posterior à construção. Talvez tenha sido feito para aumentar a caída do teto. Atenção aos galbos e aos cachorros, na frente da casa. Outro detalhe original: As folhas das portas com verga em arco pleno são almofadadas. O Relatório Técnico GMP 37/2008, de 31/07/2008, da Gerência de Memória e Patrimônio, da SECULT, só menciona folhas tipo ficha. É só observar atentamente as fotos de 1993 a 1999. Já as portas com verga retilínea e a porta maior entre duas janelas, estas sim, possuíam as folhas tipo ficha como descrito no relatório. As demais orientações do relatório também devem ser observadas.


Paulo Stuck Moraes (IHGES), André Malverdes (AARQES), André Luiz de Souza (IAB).

ATENÇÃO!!!

Este blog é específico para difusão e estudo do patrimônio natural e cultural do município de Nova Venécia, bem como, tudo que norteia a sua cultura, memória e meio ambiente. A utilização, do material aqui disponibilizado (seja texto ou imagem), por qualquer veículo de comunicação, deve ser previamente solicitada ao Projeto Pip-Nuk por meio do e-mail: projetopipnuk@yahoo.com.br e jamais poderá ser publicada sem menção ao seu autor (quando houver) e ao respectivo blog.