sábado, 10 de outubro de 2009

08 de Outubro: Mangueira da Rua Salvador Cardoso completa 94 anos

Plantado no dia 08 de Outubro de 1915, após as 09:00 horas da manhã, em frente a residência e comércio do Sr. Salvador Cardoso, na então vila de Nova Venécia, para homenagear o nascimento de seu filho Romeu Cardoso, após 94 anos, o pé de manga côco permanece belo e frondoso, porém, sofre com a negligência da população e da administração municipal.


Detalhe da “mangueira” da Rua Salvador Cardoso com o “posto” de coleta de lixo bem ao lado de seu tronco quase centenário, tendo ao fundo a secular residência de Salvador Cardoso. A foto é de fevereiro de 2009, porém a imagem permaneceu a mesma até o último domingo (04/10/2009) quando estivemos no local e constatamos que infelizmente nada mudou. Foto: Rogério Frigerio Piva, 19/02/2009.


Por Rogério Frigerio Piva


Seria uma data para ser comemorada, mas sequer foi lembrada pela administração municipal de Nova Venécia. A árvore “Mangueira” da Rua Salvador Cardoso, no centro da cidade de Nova Venécia, se aproxima dos cem anos e praticamente viu a cidade de Nova Venécia nascer, pois, quando foi plantada, ainda não havia sequer o traçado das ruas do centro da cidade, que foi oficializado somente 20 anos depois, em 1935.

A tradição oral das antigas famílias venecianas: Cardoso e Toscano, registram que o plantio da árvore naquele local está relacionado ao nascimento do filho de Salvador Cardoso, chamado Romeu Cardoso [leia transcrição do termo de nascimento de Romeu Cardoso no anexo, ao final desta postagem], em 08 de Outubro de 1915, às 09:00 horas da manhã, na residência de Salvador, esta, milagrosamente ainda existente em frente ao belo pé de manga.
Vista da Rua Salvador Cardoso, no centro da cidade de Nova Venécia, quando ainda se chamava Rua João Pessoa, em 1957, somente no ano seguinte ela foi rebatizada com o nome atual. A quase centenária mangueira ao centro do logradouro, que neste tempo, ainda não possuía pavimentação, mas ostentava todo seu casario. É a rua mais antiga de Nova Venécia, onde ainda existe a casa mais antiga do centro da cidade que pertenceu àquele que hoje dá nome à mesma. Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XXII, IBGE, 1959.


Em 15 de Julho de 1988, há 21 anos atrás, um Decreto Municipal de nº 1.302 assinado pelo ex-prefeito Adelson Antônio Salvador, declarou a mangueira “imune de corte” sacramentando assim o seu tombamento a nível municipal. Portanto, Nova Venécia deveria se orgulhar de, em pleno século XXI, possuir, no centro de uma rua, em pleno centro da cidade, uma árvore quase centenária. Inclusive, desconhecemos, pelo menos no nosso estado, outro município que possua uma árvore tombada - protegida - nessas condições.

Apesar de tudo que já foi dito, esse patrimônio natural de Nova Venécia sofre com a negligência da população e da administração municipal. Desde o ano passado, já havíamos alertado, aqui mesmo em nosso blog, para o fato da árvore estar sendo utilizada como posto de coleta de lixo na Rua Salvador Cardoso, fato comum em muitas ruas venecianas, pois a população insiste em colocar fora do horário de coleta, os seus detritos, que muitas vezes acabam por imundiçar as vias venecianas. No caso da mangueira há até uma “oficialização” da administração municipal que, desde a gestão anterior mantém um latão de lixo em frente à mesma.

Mas o problema não pára somente no lixo. Não existe no local, sequer uma placa de sinalização identificando que a árvore é protegida de corte por legislação municipal e informando a sua importância cultural para a História de Nova Venécia. O que deveria ser uma referência “turística” sequer é citado no site oficial da prefeitura. É como se ela não existisse.

Em outra ocasião, já sugerimos, aqui em nosso blog, que deveria ser feita uma remodelação no canteiro que está no entorno da mangueira para valorizar a beleza cênica da rua em conjunto com o casario do início do século XX. Queremos acreditar que, infelizmente, ninguém da administração leu nosso apelo, feito ainda no ano passado [veja os links no final da postagem].

A “mangueira” fica próxima a outro patrimônio de Nova Venécia, a Igreja Matriz de São Marcos. São patrimônios, natural e cultural, que devem ser pensados em conjunto no que diz respeito ao paisagismo. Ambos são símbolos da identidade do povo veneciano e pontos turísticos de nossa cidade. Foto: Rogério Frigerio Piva, 19/02/2009.

Povos antigos, como o celta, acreditavam que uma árvore é, com suas raízes profundas na terra e seus galhos erguendo-se para o céu, uma ligação entre o céu e a terra. Um símbolo incontestável da vida. E não precisamos ir longe, aqui mesmo, o povo botocudo, que habitou por séculos estas terras, dava tanta importância às árvores que acreditava que um “inferno” seria um lugar sem árvores onde o sol queimaria constantemente suas faces. A própria mangueira, segundo a já citada tradição oral, teria servido de local de repouso para os últimos grupos indígenas que existiram em nossa região, quando passavam pela nascente povoação.

Também chamamos atenção para o fato de que, apesar de não ser nativa do Brasil, a manga é abundante em nossa região, em especial no nosso município, podendo ser destacada como uma fruta típica de Nova Venécia.

Acreditamos que deve ser feito um trabalho em conjunto de manutenção, valorização-conscientização e divulgação envolvendo as secretarias municipais de Obras, dos Transportes e Urbanismo; a novíssima Secretaria de Meio Ambiente; bem como as secretarias de Cultura e Turismo e a de Educação.

Numa época em que a preservação ambiental está em destaque rogamos à administração municipal e aos cidadãos venecianos que valorizem e acolham com carinho a NOSSA mangueira um símbolo de vida e um verdadeiro MONUMENTO à memória dos índios que foram literalmente “engolidos” pelo processo de colonização que deu origem ao nosso município. E que venham os cem anos!!!


Anexo

TERMO DE NASCIMENTO de Romeu Cardozo
Transcrito do Livro Nº 03-A de Nascimentos sob nº 1.259 às folhas 122 do Cartório de Registro Civil e Tabelionato da Sede do Município de Nova Venécia (ES) por Rogério Frigerio Piva em 08/09/2009.


[folha 122] Numº 1259 Aos nove dias do mez de Outubro do an- / no de mil novecentos e quinze, neste / segundo districto do Juizo Districtal / do Municipio de São Matheus Estado / Federado do Espírito Santo, compareceu / em meu cartório Salvador Cardozo / e em presença das testemunhas abai- / xo nomeadas e assignadas decla- / rou: Que no dia oito do corrente / mez no lugar denominado – Nova - / Venezia – e casa de sua residencia / ás nove horas nasceu uma crian- / ça do sexo mascolino a qual deu-se / o nome de Romeu Cardozo, filho / legitimo dêlle declarante e D. Felin- / tha Cardozo, naturaes deste Muni- / cipio e residentes neste districto.
Avós paternos José Antonio Cardozo e / D. Liocadia de Almeida Cardozo e ma- / ternos, Ignacio Maciel Toscano e D. Ro- / mana Toscano. Do que para constar / lavrei este termo em que comigo as- / signa o declarante e as testemunhas / Eleosippo Rodrigues da Cunha e / Manoel Antonio da Silva, este lavra- / dor e aquelle negociante residentes / neste districto. Eu Ernesto Ayres Fa- / ria escrivão interino do Juizo Distri- / ctal o escrevi.


[assinaturas] Ernesto Ayres Faria
Salvador Cardozo

Manoel Antonio da Silva.



Para saber mais veja também:

* A Mangueira da Rua Salvador Cardoso , postagem de 25/08/2008

* Decreto Municipal Nº 1.302 de 15/07/1988. Declara imune de corte a "Mangueira" localizada no centro da Rua Salvador Cardoso , postagem de 21/02/2009.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Nova Venécia: Terra de diversidade cultural

Vista da Pedra do Elefante a partir do encontro da Praça São Marcos com a Rua Santa Cruz no Centro da cidade de Nova Venécia. Foto: Rogério Piva, 23/04/2009.

Por Izabel Maria da P. Piva*



Andando pelas ruas da cidade, observamos as pessoas. Notamos que possuem uma beleza singular. Seus olhos claros contrastam com a pele morena, ou, por vezes, os cabelos claros descobrem um olhar negro. Pudera! Nova Venécia se fez como terra de muitos povos.

Alguns aqui já estavam senhores deste chão, desta natureza que os protegia e alimentava. Depois vieram outros senhores da sociedade, com seus títulos de nobreza, para fazer produzir sobre a nova terra o café. Representante desta nobreza é o major Antônio Rodrigues da Cunha, agraciado com o título de Barão de Aymorés. Construiu sua fazenda na região onde existem os contrafortes da lendária “Serra dos Aymorés”. Sua casa-grande, conhecida popularmente como “Casarão dos Escravos”, foi palco dessa mistura de povos indígenas, africanos e europeus.

Os africanos trazidos à força para o trabalho escravo, não só construíram a riqueza dos nobres, como deixaram arraigadas na terra, seus costumes e suas histórias. Com o processo de abolição, a mão-de-obra imigrante se fez presente, demonstrando a coragem que possui quem deixa para trás sua terra, mesmo que em busca de novas expectativas, novos sonhos. Também participaram desta saga, nordestinos, mineiros e outros que compõem a nação que chamamos de Brasil.

Aos pés da pedra, hoje denominada, do Elefante, essa gente, de diferentes culturas, iniciou a construção de um povo. A pluralidade deste povo se faz presente em sua comida, que é uma mistura de cores e sabores. Além da polenta, da taiadella, da minestra e do pão caseiro, encontramos a carne de porco frita e acebolada, perfumando o entorno de nossas casas. Caminhamos um pouco mais e sentimos o cheiro do alho queimado, preparado para refogar a couve, influência dos mineiros. Entramos nas padarias e encontramos os biscoitos de polvilho, aqui chamados de “maluco”. Não podemos esquecer do cafezinho, dos biscoitos caseiros, do queijo mineiro, dos doces da roça, em especial, o de mamão verde.

Na época da Semana Santa é uma festa! O amendoim torrado espalha seu aroma, temperando as panelas de canjica, que não podem faltar. E tem a torta de palmito (ou repolho), influência portuguesa agregada à região. Quem resiste a uma terra com tantos sabores diferentes?!

Continuando nosso passeio nos deparamos com as varandas cheias de plantas e flores, as hortas nos quintais, as árvores dando sombra à tardezinha. Para quem vem de fora é um deleite observar a delicadeza desses quintais. Observa-se um tapete de retalhos em uma dessas varandas, fruto do artesanato local. Na sala da casa, almofadas em forma de coração. Na cozinha, panos de prato, marcados com tanta precisão. As mãos incansáveis de algumas mulheres da região, muitas vezes do interior do município, despertam em nós, um tempo de delicadeza. Ao passar em outras varandas, redes e cadeiras de madeira e palha, estas, feitas pelos Merlin, artesanato secular trazido da Itália por esta família e, que nos fazem lembrar das tardes em companhia de nossos avós. Pode haver sensação melhor?!
Passear mais um pouco pelo centro da cidade, observar o casario antigo ainda existente, ir à Matriz, de arquitetura tão aconchegante, visitar praças, deleitar-se com o rio Cricaré e suas águas mansas.

A Escadaria "Jamilli Daher Rocha", desde 1957, faz a ligação entre a Rua Eurico Salles e a Avenida Vitória no Centro de Nova Venécia. Diz-se que seu estilo foi inspirado na Escadaria Maria Ortiz em Vitória. É obra da gestão do ex-prefeito Zenor Pedroza Rocha (1955-1958) quando chamava-se simplesmente Escadaria da Travessa Itapemirim. Em 2003, na segunda gestão do ex-prefeito Adelson Antônio Salvador, foi restaurada e rebatizada com o nome da saudosa dona Jamilli, esposa do Sr. Zenor. Foto: Rogério Frigerio Piva, 23/04/2009.
Á tardezinha, na margem do rio, um ingazeiro serve de repouso para garças brancas. O pôr-do-sol, nas montanhas, traz aos nossos olhos, luzes coloridas, como a anunciar a noite estrelada e enluarada do céu “veneciano”. Visitamos ainda a Casa de Pedra do Perletti, com seu ar misterioso, o Centro Cultural Casarão, à beira da Cachoeira Grande, no coração da cidade, e a frondosa mangueira da Rua Salvador Cardoso, árvore esta, que vem testemunhando todo desenrolar da História desta cidade, rica em pequenos deleites que nos fazem sonhar.

Como partes dos costumes da região, encontramos as festas populares, mistura de danças e folguedos, raízes de nossa cultura. Procissões, cantorias e missas compõem a festa da capela de Santo Antônio do Córrego da Serra, que ainda tem os caldos, os doces, as roletas de frango assado, as quadrilhas e os namoros (afinal, é Santo Antônio!). Despertam saudades também as festividades do padroeiro São Marcos.

Seu leão, que impõe tanto respeito, e está sob a forma de escultura de bronze, na fachada da Matriz, foi disputado com a colônia de Nova Veneza (SC), nos anos 1920. Nesta época o governo da Itália teria presenteado a cidade catarinense com tal regalo. No entanto, a tripulação do navio que trouxe o presente, ao aportar em Vitória, escala para os portos do sul, revelou que esse seria dado à “Nuova Venezia, America dell’Sud”. Pronto, a confusão estava armada! Aqui também tínhamos uma “Nuova Venezia”, ao oeste da velha cidade de São Mateus, para a qual, o leão foi enviado. Dizem que, ao saber do desvio do seu presente, os catarinenses pensaram até em se armar, caso fosse necessário, para vir buscar o seu leão de bronze. Mas era tarde, esse fora tomado nos braços pela nossa população. A questão somente foi resolvida quando a Itália enviou outro leão, que até hoje também guarda a fachada da Matriz de São Marcos, na cidade de Nova Veneza, em Santa Catarina.
Escultura em alto relevo de broze representando o "leão alado de São Marcos" existente na fachada da Igreja Matriz de São Marcos. Em 1925, antes mesmo da construção da primeira igreja de São Marcos, esta escultura italiana foi recebida com festa na insipiente Vila de Nova Venécia. Foto: Rogério Frigerio Piva, 23/04/2009.

Escutamos música ao longe, além das influências baianas e cariocas, nos deparamos com nossas raízes sertanejas. Mas temos também música composta em nosso município, cheirando a terra molhada pela chuva, depois que, nas orações, pedimos a Deus o fim da estiagem. Basta buscar para ouvir o som da Lira Matheus Toscano, do Coral Italiano Augusto Zaché, do Grupo Engenho Novo ou da Banda Última Hora (UH) e outras expressões musicais que aqui tiveram e devem ter vez.

Presenciamos ainda, a folia-de-reis e suas cantorias, que precisam ser resgatadas e divulgadas. É muito bom ver as janelas e portas se abrindo para a chegada dos cantadores do Jesus-menino. Suas músicas, seu colorido, seu ritmo, retratam a religiosidade de uma cultura composta de grande influência nordestina. Os autos religiosos, contando o nascimento, vida e paixão de Cristo fazem parte desse cenário cultural, como representação cênica maior e mais tradicional. Encenados por atores amadores, não podem faltar na Sexta-feira Santa.

É assim, da mistura de todos os povos, da união da concertina, da sanfona e do triângulo, dessa cultura ítalo-nordestina, com aspectos de africanidade, indigenidade, recebendo ainda influência mineira, pomerana e tantas mais, que se fez Nova Venécia. Não se pode deixar morrer estas tradições. Não podemos nos esquecer de quem fomos, dos que vieram antes de nós e abriram caminhos para que pudéssemos ir além. Precisamos resgatar o orgulho de ser veneciano!

Devemos cuidar de nossa cidade e admirá-la. Conhecer e preservar nossa memória e nossos costumes nos faz únicos em um mundo de cultura massificante. Quando sabemos quem somos, nos fortalecemos em nossa identidade. E assim, construímos cidadania.


*Izabel Maria da P. Piva é historiadora graduada e mestra em História Social das Relações Políticas pela Universidade Federal do Espírito Santo onde produziu a dissertação "SOB O ESTIGMA DA POBREZA: A Ação da Irmandade da Misericórdia no Atendimento à Pobreza em Vitória - Espírito Santo (1850-1889)", defendida em 2005. Vem atuando no magistério, seja na educação infantil, ensino fundamental e médio, há mais de 15 anos. É professora na Escola Estadual de Ensino Médio “Dom Daniel Comboni”, em Nova Venécia. É colaboradora do Projeto Pip-Nuk.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Conversa sobre “lendas venecianas” na EMEF Dr. Adalton Santos

"Conversando" sobre "Lendas Venecianas" com alunos da EMEF Dr. Adalton Santos. Foto: Mônica Rodor, 20/08/2009.

No dia 20/08/2009, quinta-feira, após convite da professora de Artes, Mônica Rodor, nos reunimos por volta das 08h30min da manhã, no auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Dr. Adalton Santos”, com cerca de cinco turmas de alunos do 6º ao 9º ano do turno matutino.

O tema da palestra, ou melhor, “conversa” foram as “lendas venecianas”. Foram aproximadamente 40 minutos. Primeiramente, apresenta-mos o blog “LENDAS VENECIANAS”, do qual somos colaboradores, e que foi criado pelo professor Rodrígo Frigerio Piva, em maio de 2007. O prof. Rodrígo Piva leciona língua espanhola na EEEM Dom Daniel Comboni.

O blog "Lendas Venecianas" do prof. Rodrígo Piva, está no ar desde maio de 2007, e já recebeu milhares de acessos. Foto com Montagem: Rodrígo Piva, 2009.


Na seqüência citamos as histórias de assombrações relacionadas ao hoje extinto “casarão dos escravos”, falamos também sobre as lendas do “saci pererê” muito conhecidas dos antigos venecianos e, por fim, da famosa lenda veneciana da “mulher que virou serpente”. Quem quiser saber mais sobre essas e outras lendas é só acessar o blog: http://www.lendasvenecianas.blogspot.com/ .



O auditório da EMEF Dr. Adalton Santos ficou lotado de alunos que ouviram sobre as "lendas venecianas". Foto: EMEF Dr. Adalton Santos, 20/08/2009.


O dia 22 de agosto é comemorado em todo Brasil como o “dia do folclore”. Atualmente todo mês de agosto vem se tornando um período de referência para abordar o folclore brasileiro e regional. E o Projeto Pip-Nuk aceitando o convite da EMEF Dr. Adalton Santos, apresentou aos jovens alunos um pouco das lendas regionais que enriquecem o patrimônio cultural imaterial de Nova Venécia. Afinal, divulgar nossas lendas é uma maneira de mantê-las vivas, impedindo que elas sejam esquecidas e desapareçam.



"Conversando" sobre "Lendas Venecianas" com alunos da EMEF Dr. Adalton Santos. Foto: EMEF Dr. Adalton Santos, 20/08/2009.


Mais uma vez agradecemos a toda equipe da EMEF “Dr. Adalton Santos”, que sempre nos acolhe com muito carinho, pela oportunidade de falar sobre nossa terra aos jovens.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Mestre de Folia de Reis de Nova Venécia é premiado na Edição 2009 do Prêmio “MESTRE ARMOJO DO FOLCLORE CAPIXABA”


Mestre Anízio, aqui ostentando traje típico, foi reconhecido pelo seu trabalho de dedicação com o Grupo de Folia de Reis “Sois Reis”, recebendo o Prêmio de 10 mil reais, constante do Edital 13 da Secretaria de Estado da Cultura – Secult, intitulado “Mestre Armojo do Folclore Capixaba”. Foto: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Nova Venécia, 2009.


A Cultura do Norte do Espírito Santo e, em especial, o nosso município de Nova Venécia, tem muito a festejar pela premiação recebida pelo “Mestre Anízio” do Grupo de Folia de Reis “Sois Reis”, grupo este, que vem atuando desde 2001 em Nova Venécia.
Sobre a Folia de Reis, manifestação folclórica que faz parte do Patrimônio Cultural (Imaterial) Veneciano, há testemunhos de que é realizada desde o início do século XX no território do nosso município. E, seguramente, merece todo apoio e atenção por parte do governo municipal para sua preservação/perpetuação. Agora que o esforço de décadas foi reconhecido pelo governo do Estado, avista-se o maior desafio: fazer os nossos jovens identificarem a Folia de Reis como sua herança cultural, para que esta tradição não se apague com o tempo.

Segue abaixo, a íntegra da notícia vinculada, no último dia 20, no site da Prefeitura Municipal:

Prêmio de R$ 10 mil para Mestre da Folia de Reis de Nova Venécia

Assessoria de Comunicação – Através do Projeto Editais da Cultura, lançado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), em março deste ano, o Mestre de Folia de Reis de Nova Venécia, Anízio Antônio da Silva, 62, acaba de faturar R$ 10 mil como prêmio pelas ações em prol da cultura em pelo menos 28 anos de sua vida.

O veneciano foi o único artista da Folia de Reis contemplado no Norte do Estado, em meio a 200 concorrentes. O titulo faz parte do concurso específico da Folia de Reis, intitulado Mestre Armojo do Folclore Capixaba.

Em Nova Venécia a cultura é tratada com prioridade pela Secretaria de Cultura e Turismo. O Mestre premiado faz parte do grupo Sois Reis, que desde 2001 se apresenta em escolas e municípios da região.

Após a conquista, a intenção do Secretário de Cultura de Nova Venécia, Otamir Carloni é promover uma noite de folclore no Centro Cultural Casarão. “Além disso, vamos tentar fixar o senhor Anízio nos quadros efetivos da cultura veneciana, com o intuito de fortalecer os grupos mirins e resgatar os jovens para a Folia de Reis veneciana”, declara Carloni.

Valorização – O prêmio recebido pela Folia de Reis veneciana faz parte do projeto Editais da Cultura, lançado com 18 Editais de Incentivo à Cultura, que premia artistas de todo o Estado em vários vértices.

O objetivo é incentivar a formação e fomentar a criação, a produção e a distribuição de produtos e serviços que usem o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos, e tornar a atividade cultural uma importante estratégia nos programas de desenvolvimento capixaba.



O Coordenador Cultural Oscar Ferreira, Mestre Anízio e o Secretário de Cultura e Turismo de Nova Venécia Otamir Carloni. O governo municipal está de parabéns por apoiar uma das mais tradicionais manifestações folclóricas de Nova Venécia. Torcemos para que esta "parceria" continue dando frutos e que a população veneciana se identifique e reconheça a Folia de Reis como parte de sua herança cultural. Foto: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Nova Venécia, 2009.


Fonte: “Prêmio de R$ 10 mil para Mestre da Folia de Reis de Nova Venécia” disponível em http://www.novavenecia.es.gov.br/banco/noticias.php?id=236 , acessado em 25/08/2009. Sobre o Prêmio veja também “Secult publica resultado de mais três editais de incentivo à cultura” disponível em http://www.secult.es.gov.br/?id=/noticias/materia.php&cd_matia=1175 , acessado em 25/08/2009.

Quem foi “Mestre Armojo” ou “Hermógenes Lima Fonseca” (1916-1996)?*
O folclorista, historiador e escritor Hermógenes Lima Fonseca, natural de Conceição da Barra, Espírito Santo, foi uma das maiores autoridades na cultura e nos costumes populares capixabas.
Presidente da Comissão Espírito-Santense de Folclore, membro da Academia Espírito Santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, Hermógenes é autor de inúmeras obras sobre o folclore capixaba e o povo da região.

*Fonte: “O folclore do Espírito Santo” disponível em http://www.aracruz.com.br/show_cmd.do?act=stcNews&menu=false&id=1523&lang=1 , acessado em 25/08/2009.


O Ticumbi, as Bandas de Congo, o Alardo, o Reis de Boi, a Folia de Reis, foram folguedos pesquisados pelo saudoso “Mestre Armojo” e, magistralmente, apresentados no seu livro “Tradições Populares no Espírito Santo” publicado, em 1991, pelo extinto Departamento Estadual de Cultura, do qual extraímos alguns trechos:

[A Significação dos folguedos folclóricos no Espírito Santo]**

Por Hermógenes Lima Fonseca (Mestre Armojo)

(...)
Esses folguedos são autos litúrgicos profanos, ligados aos festejos religiosos católicos, remontam a séculos. Atualmente apenas em alguns lugares são toleradas pela igreja, que ignora a sua origem e sua importância na demonstração da crença popular, uma forma da manifestação da fé que tem o povo aos seus santos protetores.
(...)
O expontaneismo de suas criações é a característica principal quando se observa com acuidade a música que cantam, a coreografia e a letra dos cantos.
É o teatro do povo no ambiente em que vive, a céu aberto, nas ruas ou em suas casinhas apertadas para se divertirem e ao povinho que assiste, prestigiando e valorizando esses numerosos grupos existentes por todos os cantos do Espírito Santo.

**Fonte: “Folclore do ES” – “A Significação” disponível em http://www.seculodiario.com/folclore/tradicoes/index3.htm acessado em 25/08/2009. O texto pertence à obra: FONSECA, Hermógenes Lima. Tradições populares no Espírito Santo. Vitória: Depto. Estadual de Cultura, Divisão de Memória, 1991.

ATENÇÃO!!!

Este blog é específico para difusão e estudo do patrimônio natural e cultural do município de Nova Venécia, bem como, tudo que norteia a sua cultura, memória e meio ambiente. A utilização, do material aqui disponibilizado (seja texto ou imagem), por qualquer veículo de comunicação, deve ser previamente solicitada ao Projeto Pip-Nuk por meio do e-mail: projetopipnuk@yahoo.com.br e jamais poderá ser publicada sem menção ao seu autor (quando houver) e ao respectivo blog.